Bezerra da Silva ficou conhecido como o típico malandro carioca, mas na verdade era pernambucano de Recife e começou sua vida artística tocando zabumba na banda de Zé Ramalho. Era grande zabumbeiro, segundo ele, era o único musico que tocava três zabumbas de uma vez. Foi pro Rio de Janeiro com 15 anos, escondido no porão de um navio cargueiro que transportava açúcar e quase foi jogado ao mar pelo comandante. Sua verdadeira profissão era pedreiro, a musica entrou em sua vida por acaso. Depois de muitos shows com Ze Ramalho, gravou o primeiro disco pela Tapecar, da TV Globo, em 1975, onde cantava exclusivamente cocos - um ritmo muito pernambucano, quase avô do baião e do forró. O disco, de nome O Rei do Côco, tem composições próprias e já mostra aquele jeito especial de cantar que se tornou a marca registrada em todos os seus discos de samba.
Ai está uma gravação de Joe Williams no Newport Jazz Festival, em 1963. São 16 musicas – com uma banda dos sonhos de todo jazz Singer, na qual se destacam os sax tenor de Coleman Hawkins, Zoot Sims e Ben Webster e os trumpetes de Clark Terry e Howard McGhee. Adoro esse disco, é o Joe Williams vocalista de jazz em sua melhor forma. Escutem com atenção, especialmente a performance de todos em Roll ‘Em Pete.
O Multiply apagou 12 posts dessa Vitrola, por conterem, segundo o email, “violação de direitos autorais”. Como eles estão ameaçando cancelar a minha conta caso descubram outras infrações, aviso aos amigos e ouvintes que vou dar um tempo – bem pequeno, somente enquanto descubro outra forma de continuar compartilhando com vocês as coisas que gosto da minha discoteca pessoal.
Grata a todos – continuem conversando comigo em minha outra casa: http://beths.zip.net
Volto já.
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Multiply erased 12 posts of this Vitrola, for containing “violation of copyrights”. As they are threatening to cancel my account in case that they discover other "infractions", I say to my friends and listeners that I’ll give a time of that stuff - a small time, only while I discover another form to continue sharing with you the things that taste of my personal discoteca.
Hasta la vista, baby!
Esse é um disco genial, um dos trabalhos mais líricos do poeta, escritor, violinista, pianista, bandolinista, compositor, cineasta, artista plástico e cantor Jorge Mautner.
Com mais de 40 anos de estrada, Jorge Mautner tem 10 discos e quatro livros e é um dos autores mais gravados em vida, com composições nos discos de Caetano, Gil, Lulu Santos, Zé Ramalho, Kid Abelha e Chico Science, só pra falar nos mais conhecidos. Como escritor também arrasou, recebendo o prêmio Jabuti de literatura com seu primeiro romance, Deus da Chuva e da Morte, publicado em 1962.
Esse disco, de 1974, tem direção musical de Gilberto Gil e lança pela primeira vez no meio musical, um jovem instrumentista de nome Roberto de Carvalho, que depois seria o parceiro fiel de Rita Lee. Aqui ele toca teclados. A capa é de Rogério Duarte, grande artista gráfico dos anos 70, autor do poster de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha e de quase todas as capas dos discos tropicalistas.
O repertório tem músicas maravilhosas, como a segunda gravação do Maracatu Atômico, já um retumbante sucesso na voz de Gilberto Gil e O Relógio Quebrou, inspirado, segundo seu autor, “pelo relógio dobrado como uma omelete de Salvador Dali”.
Disco gostoso, de letras inteligentes, outro presentão deixado pelos anos 70.
Um dos trabalhos mais inovadores da música brasileira de todos os tempos. Acabou Chorare é uma mistura anárquica de rock, samba, frevo, choro, blues, frevo, tropicalismo e muitos etc. É o segundo disco da banda, gravado em 1972 e um retrato típico da época – movimento hippie, psicodelia, o pais vivendo uma ditadura, a juventude buscando novas formas de viver e se relacionar. Está tudo lá.
Os Novos Baianos - Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão, Baby Consuelo – viviam em um sitio/comunidade na Bahia, com um monte de artistas agregados, todos compondo, ensaiando, cozinhando, criando filhos e sobretudo fazendo musica e jogando futebol.
A diferença entre o primeiro disco – Ferro na Boneca, de 1971 – e esse Acabou Chorare, se deve a João Gilberto, que passou algumas semanas no sítio abrindo para o grupo os segredos do samba, o que por sua vez trouxe para o som deles um suingue espetacular.
O disco saiu pela recem criada gravadora Som Livre, com uma capa elaborada e um grande texto na parte interna escrito pelo Galvão, falando sobre a forma de criar do grupo. O suingue começa com Brasil Pandeiro, um samba antigo de Assis Valente e segue com surpreendentes composições de Moraes e Galvão. Tem ainda a linda voz cheia de frescor de Baby Consuelo e a maestria nos instrumentos dos outros componentes da banda.
É um disco que lembra uma época boa, apesar de tudo. Como diz Galvão em das músicas “...Era uma vez uma tribo brincando de paz e amor, enquanto o homem mandava à lua o disco voador, nem todos eram baianos, mas todos novos baianos, gerando ser, unindo arte e viver...”
Esse é um clássico inédito do jazz, gravado há cinqüenta anos mas só agora encontrado, que mostra o encontro inédito entre dois grandes gênios da musica norte americana.
Segundo especialistas, tudo começou em julho de 1957, quando Monk convidou o jovem saxofonista Coltrane para entrar em seu grupo e participar de uma temporada de seis meses em Nova York. O resultado da união foi ótimo, mas a banda só entrou em estúdio uma única vez naquele mesmo mês, para registrar três faixas – lançadas posteriormente no álbum Thelonius Monk with John Coltrane, pela gravadora Riverside.
Em agosto Coltrane gravou seu disco de estréia pela gravadora Blue Note, e quatro meses depois, já perto de sua separação, o quarteto faria seu principal show, um concerto beneficente no Carnegie Hall, dia 29 de novembro de 1957, documentado pela rádio governamental Voz da América para uma transmissão internacional. Depois disso a fita desapareceu e ninguém se lembrou mais dela.
Então, em 2005, acidentalmente, a fita foi encontrada pelo engenheiro de som e supervisor do laboratório de gravações na Biblioteca do Congresso Americano, Larry Appelbaum. Ele diz que estava checando fitas antigas e se deparou com alguns rolos onde estava escrito “Carnegie Hall Jazz” e no verso de uma delas, escrito à mão, “T. Monk”.
A fita foi limpa, restaurada, remasterizada e entregue aos fãs de forma impecável. A última faixa – Epistrophy - está incompleta, não deu pra restaurar. Mas é um disco muito especial, principalmente porque a parceria de Thelonius Monk com John Coltrane durou apenas seis meses, quase não foi registrada em disco e as gravações ao vivo até agora não tinham grande qualidade sonora.
O crítico e pesquisador Zuza Homem de Mello, que na época da apresentação estudava na Julliard School of Music, em Nova York, talvez seja o único brasileiro que assistiu esse show. Ele lembrou a ocasião com maiores detalhes, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo: “O Coltrane era um novato na época, uma revelação, ainda não era o que passou a ser depois. Ele estava começando e tocar com o Monk foi fundamental para ele. É a partir daí que ele passa a dominar o sax e adquire concepções harmônicas revolucionárias. Esse grupo esteve entre os mais extraordinários da história do jazz”.
Se eu fosse vocês baixava todas as musicas agora mesmo...
Esse é o primeiro disco solo do cantor carioca e um dos trabalhos mais inusitados da música brasileira. Não dá para defini-lo: é rock, é samba, é erudito, mas também é jazz, bossa nova, tropicalismo, tudo isso junto e paradoxalmente nenhuma dessas coisas. É o mais puro Jards Macalé. O clima do disco é meio down, melancólico, cheio de sofrida poesia – uma memória fiel da época em que foi gravado, em 1972, em plena ditadura militar.
Conta Wally Salomão, parceiro de Macalé no disco: “Começamos a trabalhar exatamente naquele período que marcava um vazio depois do AI-5, depois de tudo o que foi o tropicalismo em 1968 e que foi cortado violentamente no final daquele ano. O pessoal no exílio, Macalé tinha que ser a voz que continuasse cantando e mantivesse acesa a chama. Nessa época escrevi e Macalé musicou Vapor Barato, dizendo o que era possível naquele momento de desencanto: "Oh, sim, eu estou tão cansado, / Mas não pra dizer / Que eu não acredito mais em você". Vapor Barato foi gravada por Gal Costa no LP Fa-Tal, Gal a Todo Vapor e todo mundo sabia tocá-la no violão. Parecia o hino de um pobre woodstock caboclo."
O LP foi gravado às pressas e de maneira simples – somente com ele no violão, o guitar hero Lanny Gordin no baixo e Tutty Moreno na bateria. A capa trazia um encarte obra prima do design. A censura marcou em cima, os milicos ficavam encucados com as letras de Torquato Neto, especialmente a de Revendo Amigos, que dizia “se me der na veneta eu morro / se me der na veneta eu mato”. Essa letra foi revista pela censura nada menos que 12 vezes...
Quando saiu, considerado um dos melhores do ano pela crítica, Jards Macalé logo virou preciosidade, porque foi retirado de catálogo. Saiu em CD há alguns anos, mas não existe mais, virou cult.
São nove faixas e uma vinheta, todas com musica de Macalé e letras de Capinan, Wally Salomão, Luis Melodia e Torquato Neto. Nele predomina um clima triste, onde passam blues, samba-canção, rock e mesmo algo de bolero. Macalé canta seccionando as palavras, o que dá às letras um sentido totalmente inusitado.
Diz ele: “é o disco que mais gosto. Apesar dos poucos musicos, a gente conseguir fazer cada faixa diferente da outra, criando um unidade incrível."
Os parceiros desse disco continuaram com ele nos discos seguinte, menos o piauiense Torquato Neto – grande poeta da melancolia – que suicidou-se naquele mesmo ano, um dia depois de completar 28 anos.
Jards Macalé é um disco obrigatório que soa revolucionário ainda hoje. Espero que gostem.
Sempre tive uma atração irresistível pela musica das tribos nômades do deserto do Saara, mas não tinha muito acesso a nada que vinha deles. Pois agora conheci e adorei os Tinariwen , tuaregs da fronteira do Mali com a Líbia, que faz um som muito politizado e de ótima qualidade.
A historia deles é surpreendente. Em 1979 se conheceram num campo de treinamento militar, onde lutavam sob a ordem do general Kadhafi, da Líbia. O líder libio recrutou os tuaregs, povo sem terra do deserto, com a promessa de lhe dar armas e treiná-los em sua luta por independência do governo do Mali. Mas depois, segundo eles, Kadhafi os enganou.
Então os tuaregs se mudaram para um campo de refugiados onde vivem ate hoje e dez deles, sob a liderança do músico Ibrahim Ag Alhabib, criaram o Tinariwen, cuja tradução quer dizer alguma coisa como “imensidão deserta”. Suas primeiras composições funcionaram como propaganda política dos rebeldes e só em 2001 os Tinariwen ganharam identidade artística com a edição de seu primeiro disco, The Radio Tisdas Sessions e surpreenderam o mundo em 2004 com o segundo, Amassakoul , rapidamente no topo das paradas de alguns paises da Europa e Africa.
Seu som é o das tradições tuaregs, com vozes guturais de homens e mulheres que parecem vir de outro planeta, mas tem também fortes influencias de Bob Marley e Bob Dylan, algumas pitadas de blues, de psicodelismo e de acid drock e uma guitarrinha espertíssima tocada por Ag Alhabib, em contraponto a baixo, bateria e instrumentos tradicionais do deserto. Cantam em dialeto e algumas musicas em francês. Não entendo nada que eles dizem, mas adoro o som.
Hoje eles são a voz do povo tuareg para o resto do mundo, com mensagens de resistência à repressão, à prisão e outros problemas enfrentados pelos povos do deserto. Seus discos são banidos do Mali e da Argélia.
Os Mutantes estão de volta aos palcos, começam excursão pelo Brasil em maio, depois de uma estreia arrasadora em Londres e duas apresentações sold out em S. Paulo. Zelia Duncan ocupa hoje o lugar que foi de Rita Lee e dizem que está maravilhosa. São 30 anos de ausencia, o que fez deles uma lenda, uma das mais cultuadas bandas brasileiras de todos os tempos, com fãs no mundo inteiro, entre as quais Yoko Ono.
As musicas abaixo são do disco de estreia da banda, de nome Os Mutantes, lançado em LP em 1968 e relançado em CD em 1992. Esse LP foi considerado pela revista especializada norte americana Mojo, em 2005, como um dos 50 discos mais experimentais de todos os tempos, à frente de nomes como Pink Floyd, Beatles e Frank Zappa.
A banda é formada por Arnaldo Batista – baixo, teclados e vocais / Rita Lee – vocais e percussão e Sergio Dias – guitarras e vocais. Participações especiais: Rogério Duprat em todos os arranjos e Jorge Ben, com voz e violão em A Minha Menina.
Repertorio: Panis et Circenses (Gilberto Gil e Caetano Veloso) / A Minha Menina (Jorge Ben) / O Relógio (Os Mutantes) / Adeus Maria Fulô (Humberto Teixeirae Sivuca) / Baby (Caetano Veloso) / Senhor F (Os Mutantes) / Bat Macumba (Gilberto Gil e Caetano Veloso) / Le Premier Bonheur du Jour (Jean Renard e Frank Gerald) / Trem Fantasma (Caetano Veloso e Os Mutantes) / Tempo no Tempo (John Philips) / Ave Gengis Khan (Os Mutantes).
No verão de 1980, Gilberto Gil se apresentou em algumas cidades brasileiras num show memorável com o jamaicano Jimmy Cliff e todo mundo prestou atenção num jovem clarinetista negro que tocava na banda e que fazia um solo de impacto lá pelo fim do show. Ele chamava atenção não só porque tocava e cantava muito bem – mas principalmente porque era belíssimo: um negro alto e magro, na flor dos seus 20 anos, com um carisma irresistível. Vestia-se de maneira diferente, com suspensórios, calças listradas e sapatos bicolores, cheio de estilo. Era Roberto Guima. Ele foi a sensação no meio musical no verão de 1980.
Quem freqüentava as gafieiras cariocas, no entanto, já conhecia Guima de pelo menos dois anos antes. Ele costumava tocar no meio da noite, no palquinho da Estudantina, para onde foi levado por Paulo Moura, seu professor e admirador. Já era extremamente fashion – sempre de terno de linho beje, camisa branca, gravata borboleta, às vezes usava um chapeuzinho. E sempre tinha um lenço vermelho amarrado no pulso, de puro charme. Era lindo mesmo, o Guima, a gente parava de dançar só pra vê-lo no palco. E tocava o clarinete de uma forma pessoal, o som saia sinuoso e de fraseado sofisticado, diferente de tudo o que a gente já tinha ouvido. Diretamente da linhagem negra de Coltrane + Paulo Moura, com pitadas de Tim Maia.
Ficamos amigos, descobrimos que ele era um menino doce e sincero, que tinha muitas músicas compostas e estava louquinho pra gravar um disco só dele. Na época Guima era muito solicitado pelos outros músicos, tocava em gravações de discos, em excursões de shows, todo mundo se encantava com seu jeito novo de solar o clarinete.
Em fins de 1980, muita gente se mobilizou e Roberto Guima gravou o disco, que levava seu nome, com um repertório de composições próprias. Grandes nomes da musica instrumental participaram das gravações, só por admiração a Guima: Paulo Moura, Celso Fonseca, Marçal, Leo Gandelman, Marcio Montarroyos, Serginho Trombone, Wilson Meirelles, Jorginho do Pandeiro, João de Aquino, veja só que time ele reuniu.
Em março de 81, um choque para todos os seus amigos e admiradores: Guima foi passar o final de semana em Arraial do Cabo e morreu afogado, logo ele, dono de um fôlego de sete gatos. Tinha 21 anos. Passou por aqui como um cometa de brilhante trajetória e deixou muitas saudades.
Seu lindo disco, raríssimo, está aí embaixo. Deveria ser re-editado, porque é um trabalho da mais alta qualidade. Dedico essa postagem a Marco Ramos, que também era fã do Guima.
Juntei canções que estavam espalhadas no meu computador, todas interpretadas por bons atores que também cantam. São nove atores de Holywood. Uns cantaram porque seus personagens assim pediam, outros cantam por hobby, um deles até gravou disco com composições próprias. Pela ordem:
1. Nicholas Cage – Quem não lembra dele com o casaco de couro de cobra, cantando Love Me Tender, na cena final de Coração Selvagem, de David Lynch? Inesquecível. Não sei se cantou depois disso, seus filmes ficaram chatos, nem presto atenção...
2. Ethan Hawke – Gosta de soltar a garganta nos fins de semana, rock de preferência. Tem cara e voz de crooner de banda de rock. Aqui ele manda ver I’m Nuthin’, canção de sua autoria que foi gravada e vendeu muito bem nos Estados Unidos.
3. Joaquim Phoenix – fez um perfeito Johnny Cash no filme Johnny e June, de James Mangold, pelo qual ganhou o Globo de Ouro e foi indicado ao Oscar. Ele teve aulas de guitarra e canto para interpretar o personagem e cantou todas as músicas em cena. A canção é Ring of Fire, da trilha do filme.
4. Billy Bob Thornton – ótimo ator, que ficou mais conhecido por ter sido casado com Angelina Jolie. Tem um disco de rhythm and blues bem interessante – de nome Private Radio – que um dia ainda vou postar aqui.
5. Matt Damon – Essa ele cantou na trilha de O Talentoso Ripley, onde faz um assassino frio e calculista que mata Jude Law pra ficar com seu dinheiro e sua namorada. É My Funny Valentine, de Rodgers e Hart.
6. George Clooney – Ele estava hilário na pele de um fugitivo da cadeia que se passa por cantor folk, no filme E aí Meu Irmão, Cadê Você? dos Irmãos Cohen. Grande filme, grande George.
7. Jim Carrey – Macaquices à parte, o cara já mostrou que é bom ator e que tem uma grande extensão vocal. A canção Cuban Pete, é da trilha de O Máscara.
8. Antonio Banderas – o bonitão canta muito bem. Alias, canta em quase todos os filmes. A musica Morena de Mi Corazón faz parte da trilha de El Mariachi, de Roberto Rodrigues, onde ele desfila sua morenice com guitarras e metralhadoras. Quem o acompanha aqui é Los Lobos, famosa banda de rock dos anos 70.
9. Anthony Perkins – O assustador Norman Bates, do filme Psicose, de Hitchcock (o meu filme de suspense preferido), tinha uma voz doce e gravou em disco lindas canções da década de 50 e 60. Aqui está I’l N’y a Plus d’Apres, cantada em francês com delicioso sotaque.
Não tenho o hábito de postar discos que ainda estão sendo vendidos nas lojas, mas esse aqui tem sido meu parceiro nas caminhadas matinais. Acho que vocês também vão gostar. O filme é uma delicia – o disco dá vontade de sair dançando. E tem coisa melhor pra uma segunda feira que começa chuvosa e chatíssima?
Divirtam-se!
Essa é a trilha de um filme muito legal, baseada num livro mais legal ainda – Alta Fidelidade. É a história de Rob Gordon, dono de uma loja de música à beira da falência, que apenas vende discos em vinil. Ele tem a mania de fazer lista dos cinco mais qualquer coisa. É azarado no amor e ao mesmo tempo uma verdadeira enciclopédia ambulante sobre música pop. No livro, o autor Nick Hornby, que é inglês, relaciona musicas de bandas inglesas. No filme, o diretor Stephen Frears e o protagonista John Cusak (também co-autor do roteiro e responsável pela produção), garimpam preciosidades musicais dos anos 70 e 80 e o resultado é tão alto astral quanto no livro.
Curiosidade - O ator Jack Black, que faz o impagável e ranzinza vendedor de discos na loja de Rob, interpreta com sua banda de verdade a cena final do filme e uma das musicas do disco, a faixa 11 – Let’s Get it On.
A relação das músicas:
1. You're Gonna Miss Me (13th Floor Elevators) / 2. Everybody's Gonna Be Happy (The Kinks) / 3. I'm Wrong About Everything (John Wesley Harding) / 4. Oh! Sweet Nuthin' (The Velvet Underground) / 5. Always See Your Face (Love) / 6. Most Of The Time (Bob Dylan) / 7. Fallen For You (Shiela Nicholls) / 8. Dry The Rain (The Beta Band) / 9. Ship Building (Elvis Costello & The Attractions) / 10. Cold Blooded Old Times (Smog) / 11. Let's Get It On (Jack Black) / 12. Lo Boob Oscillator (Stereolab) / 13. Inside Game (Royal Trux) / 14. Who Loves The Sun (The Velvet Underground) / 15. I Believe (Stevie Wonder).
A Banda Vexame era cultuada no inicio dos anos 90 e tinha um rótulo divertido para definir seu repertório: MBPBB (Música Bem Popular Bem Brasileira). O critério de escolha do cardápio musical da banda eram as canções que vivem na memória afetiva do povão, arranjos deliciosos para canções conhecidas de Reginaldo Rossi, Fabio Junior, Richie, Lílian, Fernando Mendes, o grupo mexicano Pimpinela e até Roberto Carlos.
Seus shows eram teatrais. Marisa Orth comandava o espetáculo como a apresentadora Maralu Menezes e convidava a banda: Carlos Pazzeto (Malcon Ewerson), Marcelo Papini (Cido Campos) e Fernando Salem (João Alberto) e os quatro arrasavam num palco cheio de estátuas de cachorro de gesso, antenas de TV, churrasqueira de laje, flores de plástico, anões de jardim e todos os outros ícones clássicos do que é vendido nos camelôs e chamamos de brega. Os figurinos também eram impagáveis e do corinho cafona fazia parte um anão!
Marisa Orth era a alma da banda – ela cantava, interpretava o personagem, improvisava com a platéia, fazia a gente rir e sair feliz do teatro. Mas só durou alguns anos. Em 1999, após nove anos de existência, a Banda Vexame se desfez. Seus integrantes achavam que já não causavam o impacto que tinham no começo.
Em setembro desse ano eles se reuniram novamente para apresentar o show Fim de Carreira, em cartaz apenas um fim de semana no Sesc Pompéia, mesmo palco onde gravaram ao vivo, em 1992, o CD Siga Seu Rumo. Show lotado, ingressos esgotados. Sinto falta de seu humor escrachado e inteligente.
Cenas desse show podem ser vistas no You Tube.
Hoje, Dia Nacional da Consciência Negra, faço um post especial com a musica das mulheres africanas. São 10 cantoras de diferentes paises e idades variadas que preservam com seus trabalhos as tradições culturais do continente. A escolha das canções fiz com a ajuda da gravadora Putumayo, que tem em seu catálogo o melhor da música étnica de todo o mundo. As vozes africanas são:
1. JUDITH SEPHUMA – é de Limpopo, África do Sul. Sua linha é mais o jazz. Ganhou ano passado o premio de melhor cantora africana, com seu primeiro disco. A canção LÊ TSHEPHILE MANG fala: “por que não paramos com o ódio e construímos nossa nação juntos?”.
2. ANGÉLIQUE KIDJO – é uma das mais queridas e famosas cantoras africanas. Já gravou com Santana, Dave Mathews Band e outros. É do Benin, mas hoje vive em Paris. Sua canção chama-se BAHIA, estado irmão de sua terra. Ela diz: “Bahia está tão longe da pátria mãe / mas o espirito continua vivo”.
3. MARIA DE BARROS – nascida no Senegal, mas é a música de Cabo Verde, terra de sua família que a inspira. Sua madrinha musical é Cesária Évora. Ela canta MI NADA UM CA TEM, e pergunta; “porque me preocupar / se não tenho nada / sou pobre mas estou bem”.
4. SIBONGILE KHUMALO – também da África do Sul, onde estudou ópera e jazz. Ela já se apresentou na Europa com orquestra sinfônica. Nelson Mandela a chamou de “tesouro nacional”. Sua musica é MAYIHLOME.
5. TARIKA – grupo feminino da ilha de Madagascar, liderado pelas irmãs Hanitra Rasoanaivo e Noro Raharimalala. A musica é RETANY, e fala de um homem que luta para convencer uma mulher a se casar com ele, mas ela nega, sem dizer por que.
6. KAISSA – da Republica dos Camarões. Vive hoje em N. York, depois de alguns anos em Paris. Sua canção TO NDJE fala da nostalgia da África. “Não importa o que faça / nem o lugar onde vá / escuto a chuva / tenho saudades de casa”.
7. DOROTHY MAKUSA – veio do Zimbabwe, e foi uma das estrelas da musica africana nos anos 50. Ficou exilada no Zâmbia até a independência do Zimbabwe em 1981, pois suas musicas eram consideradas subversivas. MFAN’ OMNCANE é uma canção bem ao gosto do que se ouvia nos anos 50, com leve toque de jazz.
8. NAWAL – é a estrela absoluta da música da Ilha Comoros, que fica entre Madagascar e a costa oeste da África. De forte influencia árabe e indiana, sem deixar de ser africana, a musica de Nawal é cantada no dialeto de Comoros, com instrumentos locais. Se chama HIMA e diz: “ Olá mulher de hoje /não tenhas medo / sai da sombra”.
9. DOBET GNAHORÉ – da Costa do Marfim, é coreógrafa, dançarina e cantora. Ela canta em diferentes idiomas e dialetos africanos, suas musicas tem influencia de vários ritmos do continente. A canção ABIANI é um chamado de esperança e positivismo ante a morte.
10. SOUAD MASSI – é argelina e muçulmana, a única mulher no país que já cantou num grupo de rock. Teve vários problemas com as autoridades de seu pais pelo seu espírito independente e hoje vive em Paris. RAOUI é uma balada que expressa o desejo de esquecer a terrível realidade da guerra.
Esse post vai pra querida Helena Frida.
Esse é o meu Stones favorito, junto com Exile on Main St. Primeiro disco estreando na nova gravadora (Rolling Stones Records) e o primeiro a mostrar o famoso logotipo da boca vermelha em fundo amarelo, que apesar de ter sido sempre atribuído a Andy Wahrol, na verdade foi produzido pelo designer americano John Pasche.
O dedo de Andy Wahrol estava na capa, revolucionária para a época, proibida, censurada e depois muito imitada mundo afora. A historia dessa capa é interessante. Os Rolling Stones alimentavam a fama de feios, sujos e malvados, em contraponto aos Beatles. O banheiro imundo da capa de Beggar’s Banquet (1968) e a provocação mal educada de Let it Bleed (1969) deixaram eles mais sujos ainda. Havia ainda o escândalo do festival de Altamont, na Califórnia, onde cinco pessoas tinham sido mortas durante o seu show. Por isso é que, nesse primeiro disco em sua própria gravadora, o primeiro também depois de Altamont, os Stones queriam apagar essa imagem de violência, mas sem deixar de provocar os conservadores.
Foi aí que em uma festa, Andy Warhol sugeriu uma capa em que se pudesse usar um ziper de verdade, numa calça jeans. Jagger achou bárbaro, inclusive porque isso daria uma conotação mais sexual e menos violenta ao trabalho da banda. E assim o disco saiu em 1971. A foto do rapaz na capa não é de Mick Jagger, como se pensava na época, mas do ator pornô Joe Dallessandro, famoso por seu enorme pênis, que trabalhava no estúdio The Factory, de Warhol. O zíper podia ser aberto e dentro apareciam os mesmos quadris, agora cobertos por uma cueca branca. A capa causou polemica no mundo inteiro, foi proibida em alguns paises, em outros era exibida com plástico preto, como uma revista pornô... Ainda tenho esse disco, com o zíper funcionando... Vocês podem imaginar o que era essa capa em 1971!
A capa trouxe problemas tecnicos e finanaceiros para a gravadora. O ziper arranhou todos os discos da primeira prensagem, exatamente nas musicas Wild Horses e Sister Morphine, e a distribuidora Atlantic Records teve de devolver o dinheiro dos compradores irritadissimos. Na segunda tiragem o problema foi contornado com uma mexidinha na foto, o que colocou o zíper justamente no miolo do disco.
Quase todas as músicas foram gravadas nos Estados Unidos em menos de um mês. Adoro todas, são clássicas, definitivas, energéticas. Tem os mais lindos riffs da guitarra e as letras mais dark, como Brown Sugar, Bitch e Sister Morphine – mas também baladas quase doces, como Wild Horses e Moonlight Mile. Prestem atenção no groove da segunda parte de Can’t You Hear Me Knocking, e vejam como é tão atual, tão moderno. Tem muitas feras entre os músicos convidados: Billy Preston, Ry Cooder, Jim Price, Bobby Keyes e Nick Hopkins.
Pode aumentar o som que isso é o mais puro rock’n’roll!

Não sei quase nada desse disco, a não ser que é maravilhoso: Jorge Ben & Trio Mocotó ao Vivo no Japão. Dizem que foi gravado no primeiro dia de apresentação no palco de um ginásio em Tóquio, em 1972. Jorge viajava pela Europa com o sensacional Trio Mocotó, talvez divulgando o LP Ben, que foi lançado naquele mesmo ano. Quem sabe essa gravação seja pirata ou semi pirata, é bem capaz. O fato é que não consta na discografia oficial de Jorge, nem no seu site ou no da gravadora.
O Trio Mocotó foi a primeira banda oficial de Jorge Ben, nos anos 60, que o ajudou a criar o suingue que depois ficou conhecido como samba rock e virou a marca registrada do cantor. Nesse disco vemos como eles se encaixavam tão bem no palco, já que eram semelhantes na exuberância do ritmo e dos improvisos.
É um grande disco que se ouve com vontade de dançar.
No Brasil não há grupo de rock experimental tão ousado e original quanto o liderado por Paulo Barnabé. Admirador confesso da originalidade do irmão Arrigo, Paulo também se identificou com o punk rock paulistano de Ratos de Porão e Inocentes e foi ancorado nessas duas influências que ele, junto aos amigos André Fonseca (guitarra) e James Muller (bateria) formou a Patife Band, formação punk que hoje é lembrada como uma das maravilhas perdidas dos anos 80.
A banda teve dois únicos registros em vinil: o mini LP independente 'Patife Band' (1985) e o hoje clássico 'Corredor Polonês' (1987).
'Corredor Polonês' é a obra prima que poucos ouviram. É um disco punk, mas tem uma ironia e um senso de humor ácido que é raro. A cara de São Paulo. Muitas das bandas brasileiras que surgiram dos anos 90 e que se consideram bandas de rock, como os Titãs, admitem ter sofrido forte influência, se não da música em si ao menos da forma de compor desse disco, que é tido como um dos mais importantes já produzidos no rock nacional.
Em 89 a Patife Band foi se dissolvendo aos poucos até sumir. Em 2002, o Corredor Polonês chegou a ser relançado em CD, mas desapareceu das lojas rapidamente e não teve uma nova tiragem. Hoje Paulo está retomando a banda, depois de lançar o disco Pigs Blaaargh e de cumprir uma rotina de shows em festivais de rock pelo Brasil, como no passado.
“Esse relançamento do Corredor Polonês deu uma ampliada no culto. E a gravação do show em Londrina 'vazou' na internet, então foi mais uma divulgação para a banda. Hoje, vemos na platéia desde um pessoal mais novo, molecadinha mesmo, até gente com 30, 40 anos", disse Paulo Barnabé.
Queremos mais Patife Band!
O álbum The Life Aquatic Studio Sessions, do Seu Jorge é resultado do trabalho do cantor na trilha sonora do filme A Vida Aquática de Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou), de Wes Anderson. O disco tem treze versões de clássicos de David Bowie e uma música original escrita por Seu Jorge, a ultima do disco, chamada Team Zissou.
As músicas vieram de quatro dos oito primeiros discos de Bowie, principalmente da fase glam rock de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. As versões para português são de Seu Jorge, que as interpreta no disco apenas ao som do violão.
Os fãs exaltados de David Bowie detestaram, especialmente as letras, não acharam à altura dos originais. Dizem que o Bowie gostou... Realmente tem bastante desencontro entre as letras em inglês e em português. Mas se você esquecer que o autor original é extraordinário, que essas musicas faziam parte de um trabalho conceitual dele, com um personagem que falava coisas profundas e tudo o mais – então o disco do seu Jorge fica super simpático e agradável de ouvir.
Eu gosto bastante, o estilo Seu Jorge é acolhedor e íntimo, ele toca bem seu violão, embora não tenha lá essas vozes todas, especialmente em Rock’n’Roll Suicide... só que é um estilo bem pessoal, despretensioso e o resto realmente não importa. Pra mim é um disco bem gostoso de se ouvir com pessoas queridas.
E vocês, o que acharam?
O Velvet Underground era uma banda diferente naqueles agitados anos 60. Enquanto a musica jovem do resto do mundo falava de paz e amor, psicodelismo e experimentações, eles cantavam sobre drogas, chicotes e prostituição. Era a cara de Nova Iorque, uma ilha naquela época de guerra do Vietnam, hippies, amor livre e LSD.
A banda tocava em bares restritos e encantou o papa do underground nova-iorquino Andy Wahrol , que decidiu bancar seu primeiro disco. Andy agitava a cidade a partir da sua Factory, um galpão por onde passavam todos os tipos excêntricos e artistas de Nova Iorque e que abrigava shows multimídia e performances inusitadas. Entre os freqüentadores da Factory estava Nico, uma modelo alemã alta e imponente, com fama de ser fria como o gelo, que tinha feita um pequeno papel no filme La Dolce Vita, de Fellini. Ela era a pop star de Wahrol, que adorava sua voz cavernosa e por isso impôs a sua entrada na banda como condição para gravar o disco. A banda esperneou, mas acabou aceitando. O Velvet Underground & Nico ficou então com a seguinte formação:
Lou Reed – que compunha a maioria das músicas, na voz e na guitarra solo
Sterling Morrison – na guitarra
John Cale – no baixo
Maureen Tucker – uma garota cheia de atitude, na bateria.
Nico – também na voz
O disco foi gravado em dois dias, em 1967, num estúdio caindo aos pedaços, bancado por Andy e um amigo, executivo de gravadora. Depois de pronto, o disco precisava de uma capa – e Andy, já um dos grandes artistas plásticos de sua época, criou uma banana já meio passada num fundo branco, que podia ser descascada e revelar o seu interior. E que hoje é um ícone de modernidade e cultura pop.
Tenho esse LP original, me lembro da excitação que causava a todas nós adolescentes seguir as instruções que vinham escritas em letras miudinhas, quase despercebidas, na lateral da banana: “descasque devagar e você verá’... E a gente abria a casca (ao longo de uma linha perfurada que precisou de uma cortadora especial na gráfica para ser executada) e dentro aparecia outra banana, só que cor de rosa, frágil e sensual. Foi uma sensação absoluta, pelo menos para alguns... e algumas...
Para lançar o disco, Andy Wahrol criou um espetáculo musical-teatral, que incluía dançarinos, luzes, projeção de filmes e outras psicodelias. O espetáculo ganhou o nome de ‘The Exploding Plastic Inevitable’ e se apresentou em vários estados americanos e na Europa, sempre deixando um rastro de êxtase e espanto por onde passava. Mas o disco vendeu quase nada – talvez o mundo não estivesse preparado para recebê-lo.
A banda se separou em 1969, depois de mais três discos. Lou Reed seguiu brilhante carreira solo; Nico morreu do coração na Espanha em 88, justo quando tinha largado as drogas; e os outros músicos sumiram no anonimato.
The Velvet Underground praticamente criou uma cultura para o rock ‘n’ roll, tornando-se referência para todas as bandas que viriam nos anos seguintes. Muita coisa que se escuta hoje jamais teria existido se a Velvet não tivesse existido antes.
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