Um dos trabalhos mais inovadores da música brasileira de todos os tempos. Acabou Chorare é uma mistura anárquica de rock, samba, frevo, choro, blues, frevo, tropicalismo e muitos etc. É o segundo disco da banda, gravado em 1972 e um retrato típico da época – movimento hippie, psicodelia, o pais vivendo uma ditadura, a juventude buscando novas formas de viver e se relacionar. Está tudo lá.
Os Novos Baianos - Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão, Baby Consuelo – viviam em um sitio/comunidade na Bahia, com um monte de artistas agregados, todos compondo, ensaiando, cozinhando, criando filhos e sobretudo fazendo musica e jogando futebol.
A diferença entre o primeiro disco – Ferro na Boneca, de 1971 – e esse Acabou Chorare, se deve a João Gilberto, que passou algumas semanas no sítio abrindo para o grupo os segredos do samba, o que por sua vez trouxe para o som deles um suingue espetacular.
O disco saiu pela recem criada gravadora Som Livre, com uma capa elaborada e um grande texto na parte interna escrito pelo Galvão, falando sobre a forma de criar do grupo. O suingue começa com Brasil Pandeiro, um samba antigo de Assis Valente e segue com surpreendentes composições de Moraes e Galvão. Tem ainda a linda voz cheia de frescor de Baby Consuelo e a maestria nos instrumentos dos outros componentes da banda.
É um disco que lembra uma época boa, apesar de tudo. Como diz Galvão em das músicas “...Era uma vez uma tribo brincando de paz e amor, enquanto o homem mandava à lua o disco voador, nem todos eram baianos, mas todos novos baianos, gerando ser, unindo arte e viver...”