Nina Simone é uma das cantoras norte americanas mais queridas público brasileiro. Nascida Eunice Kathleen Waymon, na Carolina do Norte, ela foi rebatizada Nina Simone aos 20 anos (em homenagem a Simone Signoret, sua atriz preferida), para cantar a "música do diabo", nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City, escondida de seus pais, que eram pastores metodistas.
Apesar de ter rapidamente seduzido o público pelo poder de sua voz, Nina passou maus bocados nessa época, como cantora, como mulher e cidadã. Perdeu dinheiro e amantes, foi perseguida por ser negra e por abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo. Era capaz de apoiar tanto a causa do extremado Malcolm X, quanto a do pacifista Martin Luther King. Chegou inclusive a cantar no seu enterro. Nina também sofreu nas mãos do marido, um policial nova-iorquino que a espancava.
Veio duas vezes ao Brasil, e no último show, em 1997, foi lembrada como uma intérprete de raro ecletismo, capaz de entoar um hino anti-racista, como Mississipi Goddamn e emenda-lo com a otimista Here Comes the Sun, dos Beatles. Era uma divina interprete, compositora inspirada e tocava piano com grande virtuosismo.
Mas não conseguiu viver muito tempo nos Estados Unidos, pois sofria dura perseguição do governo por sua postura de militância. Por isso mudou-se para o sul da França, onde morou por 15 anos até morrer, em março de 2003.
O disco Pastel Blues, de 1965, tem algumas coisas interessantes. A primeira música Be My Husband é interpretada somente ao som de palmas. Nobody Knows You When You’re Down and Out, é uma homenagem à pioneira Bessie Smith, que a gravou anteriormente. Strange Fruits, tambem gravada por Billie Holiday, se refere aos negros enforcados pela Klu Klux Klan, que eram pendurados nas ávores como ‘estranhos frutos’. A ultima musica do disco - Sinnerman – é uma das canções mais usadas em comerciais em todo o mundo, assim como em trilhas sonoras de cinema, series de TV e vídeo games.
Salve, Nina Simone!