Vitor Assis Brasil foi um dos melhores instrumentistas que o Brasil já teve. Exímio no sax, tinha uma técnica invejável, registrada em oito discos esgotados. Influenciou uma enorme geração de músicos brasileiros de sopro, como Marcio Montarroyos, Nivaldo Ornelas, Mauro Senise, Helio Delmiro. Mas em 81 morreu de uma doença circulatória grave e muito rara, aos 35 anos, e a musica instrumental brasileira ficou de luto.
Quando Vitor morreu, sua mãe encontrou no quarto do filho duas malas fechadas e muito pesadas, que foram herdadas pelo irmão gêmeo João Carlos, pianista, também grande musico. Sete anos depois, João Carlos resolveu abrir as malas e se deparou com mais de 400 partituras de composições inéditas de seu irmão, peças para piano solo, para orquestra, musicas de jazz erudito e de musica popular. “Sabia que ele compunha, mas nunca imaginei um compositor desse quilate”, diz emocionado o pianista.
O disco Self Portrait, que a Kuarup lançou em 1988, mostra 13 músicas de Vitor Assis Brasil, extraídas de apenas três dos cadernos que estavam na mala. A maioria delas foi composta no verão carioca de 72 e 73. As interpretações são de João Carlos Assis Brasil (piano), Paulo Sergio Santos (clarineta/sax), Zeca Assumpção (contrabaixo) e Jurim Moreira (bateria). Todos feras, todos visivelmente emocionados na homenagem.
As músicas são: 1.Blues for Oliver 2. Blues 3. Moderato Valsa 4. Self Portrait