No inicio do ano de 1976, Paulinho da Viola lançou um disco duplo muito precioso. Os dois foram para as lojas separadamente, mas juntos mostram toda a influência de velhos compositores que Paulinho recebeu em sua formação artística. Os álbuns Memórias 1 - Cantando e Memórias 2 – Chorando são obrigatórios em qualquer discoteca básica de musica brasileira.
No Cantando Paulinho relembra as reuniões em casa de seu pai, o grande instrumentista César Faria, até hoje componente do lendário grupo Época de Ouro, de Jacob do Bandolim. Ele conta que ali, em rodas de choro que varavam as madrugadas, ainda garoto se encantava com o que ouvia, muitas vezes choros e sambas interpretados pelos seus próprios autores. Essa foi a base da sua formação musical.
Os músicos que acompanham Paulinho da Viola nos dois álbuns, estão com ele desde o início da sua carreira. Além de César Faria, o Época de Ouro emprestou ainda o mestre Dino Sete Cordas (recentemente falecido) e seu irmão Jorginho, considerado o maior pandeirista do Brasil. O irmão mais novo de Paulinho, de nome Chiquinho toca o bandolim pela primeira e única vez. O resto é tudo fera: Cristóvão Bastos no piano, Dininho, filho de Dino, no baixo, Hercules, na bateria. No sax e na flauta, a honrosa presença do maestro Nicolino Cópia, o famoso Copinha, a quem a música popular brasileira deve o maior respeito. As capas dos dois discos são de Elifas Andreato, que ainda hoje trabalha com o artista.
As musicas desse disco são:
Nova ilusão (Claudionor Cruz - Pedro Caetano) / Cantando (Paulinho da Viola) / Abre os teus olhos (Paulinho da Viola) / Dívidas (Élton Medeiros - Paulinho da Viola) / Perdoa (Paulinho da Viola) / Mente ao meu coração (F. Malfitano) / Pra que mentir (Vadico - Noel Rosa) / O velório do Heitor (Paulinho da Viola) / O carnaval acabou (Paulinho da Viola) / Coisas do mundo minha nega (Paulinho da Viola) / Vela no breu (Sergio Natureza - Paulinho da Viola) / Meu novo sapato (Paulinho da Viola).