Beth's posts with tag: raridade
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Não sei quase nada desse disco, a não ser que é maravilhoso: Jorge Ben & Trio Mocotó ao Vivo no Japão. Dizem que foi gravado no primeiro dia de apresentação no palco de um ginásio em Tóquio, em 1972. Jorge viajava pela Europa com o sensacional Trio Mocotó, talvez divulgando o LP Ben, que foi lançado naquele mesmo ano. Quem sabe essa gravação seja pirata ou semi pirata, é bem capaz. O fato é que não consta na discografia oficial de Jorge, nem no seu site ou no da gravadora.
O Trio Mocotó foi a primeira banda oficial de Jorge Ben, nos anos 60, que o ajudou a criar o suingue que depois ficou conhecido como samba rock e virou a marca registrada do cantor. Nesse disco vemos como eles se encaixavam tão bem no palco, já que eram semelhantes na exuberância do ritmo e dos improvisos.
É um grande disco que se ouve com vontade de dançar.
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 Nina Simone é uma das cantoras norte americanas mais queridas público brasileiro. Nascida Eunice Kathleen Waymon, na Carolina do Norte, ela foi rebatizada Nina Simone aos 20 anos (em homenagem a Simone Signoret, sua atriz preferida), para cantar a "música do diabo", nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City, escondida de seus pais, que eram pastores metodistas.
Apesar de ter rapidamente seduzido o público pelo poder de sua voz, Nina passou maus bocados nessa época, como cantora, como mulher e cidadã. Perdeu dinheiro e amantes, foi perseguida por ser negra e por abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo. Era capaz de apoiar tanto a causa do extremado Malcolm X, quanto a do pacifista Martin Luther King. Chegou inclusive a cantar no seu enterro. Nina também sofreu nas mãos do marido, um policial nova-iorquino que a espancava.
Veio duas vezes ao Brasil, e no último show, em 1997, foi lembrada como uma intérprete de raro ecletismo, capaz de entoar um hino anti-racista, como Mississipi Goddamn e emenda-lo com a otimista Here Comes the Sun, dos Beatles. Era uma divina interprete, compositora inspirada e tocava piano com grande virtuosismo.
Mas não conseguiu viver muito tempo nos Estados Unidos, pois sofria dura perseguição do governo por sua postura de militância. Por isso mudou-se para o sul da França, onde morou por 15 anos até morrer, em março de 2003.
O disco Pastel Blues, de 1965, tem algumas coisas interessantes. A primeira música Be My Husband é interpretada somente ao som de palmas. Nobody Knows You When You’re Down and Out, é uma homenagem à pioneira Bessie Smith, que a gravou anteriormente. Strange Fruits, tambem gravada por Billie Holiday, se refere aos negros enforcados pela Klu Klux Klan, que eram pendurados nas ávores como ‘estranhos frutos’. A ultima musica do disco - Sinnerman – é uma das canções mais usadas em comerciais em todo o mundo, assim como em trilhas sonoras de cinema, series de TV e vídeo games.
Salve, Nina Simone! 
 Traveling Wilburys foi uma superbanda americana que nunca fez show em lugar nenhum do planeta, mas vendeu milhões de discos. Seus músicos tinham carreira solo de sucesso: George Harrison, Bob Dylan, Tom Petty (dos Heartbreakers), Roy Orbinson e Jeff Lynne (da Electric Light Orchestra). A banda começou por acaso, como uma brincadeira. George estava gravando o lado B do single Cloud Nine, com produção de Jeff Lyne, que também cuidou do novo disco de Roy Orbinson. Os três ensaiavam juntos e não tinham onde gravar, ai Bob Dylan emprestou o estúdio. Depois, George lembrou que tinha deixado a guitarra na casa de Tom Petty e trouxe ele junto ao vir para o estúdio.
Quando perceberam, os cinco estavam criando coisas novas e gostando muito de tocar juntos. Era março de 1988 e decidiram ali mesmo gravar um disco. Para preservar a carreira pessoal de cada um, inventaram toda uma estória para o disco. Seriam cinco meio irmãos, filhos do rico senhor Charles Truscott Wilbury. No disco seus nomes são: Nelson Wilbury (George), Lucky Wilbury (Dylan), Otis Wilbury (Lyne),Lefty Wilbury (Orbinson) e Charlie Wilbury Jr (Petty). O nome do disco: Traveling Wilburys –vol 1. O som: country rock, alegre, sem compromisso e cheio de frescor.
O disco vendeu milhões de cópias no mundo inteiro, ganhou prêmios e deixou os cinco animados para compor e gravar o segundo LP. Aí Roy Orbinson morreu de um ataque cardíaco, em dezembro de 1988, depois de gravar apenas uma música. O segundo LP não tem aquela estranha e fascinante voz do Roy. Mas os outros decidiram terminar o disco assim mesmo e o Traveling Wilbury – vol 3 saiu em maio de 1990. Nesse disco, novos pseudônimos: Spike (George), Clayton (Lynne), Muddy (Petty) e Boo (Dylan).
Nunca houve oficialmente o volume 2. Tom Petty disse que a banda considerou como válido um botleg pirata lançado no mercado, com gravações rejeitadas do estúdio e assim o segundo disco passou a ser o terceiro. Esse volume 3 não vendeu tão bem como o primeiro. Mas ainda assim foram muitos milhares de cópias.
Com a morte de George Harrison, que era o mentor real do encontro, acabou a banda, de verdade. Que pena, era uma grande banda. 
Oscar da Penha, mais conhecido como Batatinha, foi o maior poeta e compositor do samba de raiz feito na Bahia. Começou a carreira como cantor em 44, descoberto por Antônio Maria num programa de calouros, mas deve seu sucesso nacional a Jamelão, que gravou seu primeiro samba, de nome Jajá da Gamboa.
Talvez por ter trabalhado muitos anos como gráfico de jornal, suas letras são quase uma reportagem da vida cotidiana da Bahia, com melodias de fortes influencias africanas, principalmente do semba angolano. Seu parceiro mais constante foi Riachão, com quem compôs quase metade dos 100 sambas de sua autoria. É um compositor maroto e refinado, da linhagem de Noel Rosa, Geraldo Pereira e Paulinho da Viola.
Batatinha gravou três discos hoje esgotados, inexistentes mesmo nos sebos e morreu muito pobre em 1997. Dois anos antes os produtores baianos Paquito e Jota Veloso conseguiram recuperar e gravar cerca de 70 de suas musicas, algumas inéditas, com Batatinha batucando numa caixa de fósforos, o instrumento que usava para compor. Já estava com o câncer bem adiantado, foi o ultimo registro de sua voz. Em conjunto com ele, selecionaram 16 musicas e esse material virou o CD Diplomacia – Antologia de um Sambista, lançado em 98 e hoje também esgotado. Batatinha não viu o disco pronto, morreu um ano antes.
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