Esse é o meu Stones favorito, junto com Exile on Main St. Primeiro disco estreando na nova gravadora (Rolling Stones Records) e o primeiro a mostrar o famoso logotipo da boca vermelha em fundo amarelo, que apesar de ter sido sempre atribuído a Andy Wahrol, na verdade foi produzido pelo designer americano John Pasche.
O dedo de Andy Wahrol estava na capa, revolucionária para a época, proibida, censurada e depois muito imitada mundo afora. A historia dessa capa é interessante. Os Rolling Stones alimentavam a fama de feios, sujos e malvados, em contraponto aos Beatles. O banheiro imundo da capa de Beggar’s Banquet (1968) e a provocação mal educada de Let it Bleed (1969) deixaram eles mais sujos ainda. Havia ainda o escândalo do festival de Altamont, na Califórnia, onde cinco pessoas tinham sido mortas durante o seu show. Por isso é que, nesse primeiro disco em sua própria gravadora, o primeiro também depois de Altamont, os Stones queriam apagar essa imagem de violência, mas sem deixar de provocar os conservadores.
Foi aí que em uma festa, Andy Warhol sugeriu uma capa em que se pudesse usar um ziper de verdade, numa calça jeans. Jagger achou bárbaro, inclusive porque isso daria uma conotação mais sexual e menos violenta ao trabalho da banda. E assim o disco saiu em 1971. A foto do rapaz na capa não é de Mick Jagger, como se pensava na época, mas do ator pornô Joe Dallessandro, famoso por seu enorme pênis, que trabalhava no estúdio The Factory, de Warhol. O zíper podia ser aberto e dentro apareciam os mesmos quadris, agora cobertos por uma cueca branca. A capa causou polemica no mundo inteiro, foi proibida em alguns paises, em outros era exibida com plástico preto, como uma revista pornô... Ainda tenho esse disco, com o zíper funcionando... Vocês podem imaginar o que era essa capa em 1971!
A capa trouxe problemas tecnicos e finanaceiros para a gravadora. O ziper arranhou todos os discos da primeira prensagem, exatamente nas musicas Wild Horses e Sister Morphine, e a distribuidora Atlantic Records teve de devolver o dinheiro dos compradores irritadissimos. Na segunda tiragem o problema foi contornado com uma mexidinha na foto, o que colocou o zíper justamente no miolo do disco.
Quase todas as músicas foram gravadas nos Estados Unidos em menos de um mês. Adoro todas, são clássicas, definitivas, energéticas. Tem os mais lindos riffs da guitarra e as letras mais dark, como Brown Sugar, Bitch e Sister Morphine – mas também baladas quase doces, como Wild Horses e Moonlight Mile. Prestem atenção no groove da segunda parte de Can’t You Hear Me Knocking, e vejam como é tão atual, tão moderno. Tem muitas feras entre os músicos convidados: Billy Preston, Ry Cooder, Jim Price, Bobby Keyes e Nick Hopkins.
Pode aumentar o som que isso é o mais puro rock’n’roll!