A Vitrola da BethS

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Blog EntryUma banda verdadeiramente cultOct 14, '06 6:51 PM
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O Velvet Underground era uma banda diferente naqueles agitados anos 60. Enquanto a musica jovem do resto do mundo falava de paz e amor, psicodelismo e experimentações, eles cantavam sobre drogas, chicotes e prostituição. Era a cara de Nova Iorque, uma ilha naquela época de guerra do Vietnam, hippies, amor livre e LSD.

 

A banda tocava em bares restritos e encantou o papa do underground nova-iorquino Andy Wahrol , que decidiu bancar seu primeiro disco. Andy agitava a cidade a partir da sua Factory, um galpão por onde passavam todos os tipos excêntricos e artistas de Nova Iorque e que abrigava shows multimídia e performances inusitadas. Entre os freqüentadores da Factory estava Nico, uma modelo alemã alta e imponente, com fama de ser fria como o gelo, que tinha feita um pequeno papel no filme La Dolce Vita, de Fellini. Ela era a pop star de Wahrol, que adorava sua voz cavernosa e por isso impôs a sua entrada na banda como condição para gravar o disco. A banda esperneou, mas acabou aceitando. O Velvet Underground & Nico ficou então com a seguinte formação:

Lou Reed – que compunha a maioria das músicas, na voz e na guitarra solo

Sterling Morrison – na guitarra

John Cale – no baixo

Maureen Tucker – uma garota cheia de atitude, na bateria.

Nico – também na voz

 

O disco foi gravado em dois dias, em 1967, num estúdio caindo aos pedaços, bancado por Andy e um amigo, executivo de gravadora. Depois de pronto, o disco precisava de uma capa – e Andy, já um dos grandes artistas plásticos de sua época, criou uma banana já meio passada num fundo branco, que podia ser descascada e revelar o seu interior. E que hoje é um ícone de modernidade e cultura pop.

 

Tenho esse LP original, me lembro da excitação que causava a todas nós adolescentes seguir as instruções que vinham escritas em letras miudinhas, quase despercebidas, na lateral da banana: “descasque devagar e você verá’... E a gente abria a casca (ao longo de uma linha perfurada que precisou de uma cortadora especial na gráfica para ser executada) e dentro aparecia outra banana, só que cor de rosa, frágil e sensual. Foi uma sensação absoluta, pelo menos para alguns... e algumas...

 

Para lançar o disco, Andy Wahrol criou um espetáculo musical-teatral, que incluía dançarinos, luzes, projeção de filmes e outras psicodelias. O espetáculo ganhou o nome de ‘The Exploding Plastic Inevitable’ e se apresentou em vários estados americanos e na Europa, sempre deixando um rastro de êxtase e espanto por onde passava. Mas o disco vendeu quase nada – talvez o mundo não estivesse preparado para recebê-lo.

 

A banda se separou em 1969, depois de mais três discos. Lou Reed seguiu brilhante carreira solo; Nico morreu do coração na Espanha em 88, justo quando tinha largado as drogas; e os outros músicos sumiram no anonimato.

 

The Velvet Underground praticamente criou uma cultura para o rock ‘n’ roll, tornando-se referência para todas as bandas que viriam nos anos seguintes. Muita coisa que se escuta hoje jamais teria existido se a Velvet não tivesse existido antes.


MusicThe Velvet Underground & NicoOct 14, '06 6:16 PM
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Sunday Morning The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
I'm Waiting For The Man The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
Femme Fatale The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
Venus In Furs The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
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Heroin The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
All Tomorrow's Parties The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
There She Goes Again The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
I'll Be Your Mirror The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
The Black Angel's Death Song The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 
European Son The Velvet Underground & Nico The Velvet Underground 

Blog EntryArrigo Barnabé e os Tubarões VoadoresAug 17, '06 6:55 PM
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Arrigo Barnabé é um dos nomes mais interessantes da história da música no Brasil. Com formação em musica erudita, ele sempre fez um trabalho difícil de ser rotulado. Seus discos mais importantes, Clara Crocodilo e Tubarões Voadores, não foram modelados para um ouvido, digamos, mais convencional. As rádios nunca tocaram seus discos, e essa ausência de divulgação maciça criou um abismo entre a sua produção musical e o público comum. A platéia é que saiu perdendo.

 

Arrigo Barnabé era o porta bandeira da chamada Vanguarda Paulistana, movimento musical que existiu nos anos 80 na capital paulista, do qual faziam parte, entre tantos outros, Arrigo, Itamar Assunção, os grupos Rumo e Premeditando o Breque, Luis Tatit, Vânia Bastos, Tetê Espínola e Eliete Negreiros. Esse grupo era muito heterogêneo, porém tinham em comum uma linguagem musical baseada numa temática mais urbana, desenraizada, universal e cosmopolita. Os elementos eruditos se mesclavam a um experimentalismo radical, lançados em discos independentes e com forte influencia nos  meios universitários. Era ‘o retrato em preto e branco da aquarela do Brasil’ segundo um critico musical da época.

 

O disco Tubarões Voadores, de 1984, é quase uma continuação do anterior de Arrigo, de nome Clara Crocodilo, ambos plenos de dodecafonias, assimetrias harmônicas e rompantes poéticos. Em Tubarões, Arrigo inicia uma pesquisa que une música e história em quadrinhos. Usando os recursos da música erudita moderna com letras completamente HQ, o disco incluía também um gibi em preto e branco, de autoria do cartunista Luis Ge, onde tubarões voadores devoravam habitantes de uma grande cidade, entre eles uma criancinha.


No meio do estranhamento para os ouvidos surgem lindas valsas com orquestra sinfônica, como a bela Lenda, a lunar Mística e a Canção do Astronauta Perdido.Ou Crotalus Terrificus, com letra de Paulinho da Viola. Vânia Bastos é a interprete dessas partituras tão difíceis, que canta às vezes com a voz ‘normal’, outras vezes como uma cantora lírica. É um clássico que ouço sempre com grande prazer.

 

O show Tubarões Voadores viajou o Brasil, nós o produzimos em algumas cidades, inclusive no Rio. Era um espetáculo completamente teatral, com um cenário inovador, onde chamava a atenção uma rampa por onde descia um carro em alta velocidade. Os cenários, figurinos e a iluminação reproduziam com exatidão a historia em quadrinhos do Luis Gê, numa antecipação em muitos anos de Sin City. Foi uma diversão trabalhar com eles.

 

Esse post vai para a minha querida Fer. Ela sabe o porque.



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